Aconteceu no cárcere - Página 75
– Não sei se aguento este cheiro horrível até o amanhecer, não. – falou Alex que estava no fundo do cubículo, bem próximo de uns ratos que passavam nos seus pés a cada vez que esbarrava num amontoado de lixo. – A noite é longa quando nos encontramos em situação tão má.
– Põe longa nisso, Alex, o jeito é não se mexer. Quanto mais desejarmos andar, aqui, pior será.
– Inferno, é o que isso aqui é. – Paraguejou Lalado – Tudo por causa daquele tiquinho de maconha.
– O quê que você foi fazer também, Lalado, para que tamanha pressa em receber a grana? Fomos nos encontrar lá no viaduto para fazer o repasse e, depois, era para ir um de cada vez.
Com um empurrão, Lalado mostra ao Alex que ele é quem decidia e que era melhor não discutir o assunto.
Percebendo a exaltação dos companheiros, Vavá resolve falar:
– Agora é todo mundo calar e respirar o menos possível. Somos todos culpados, ninguém é melhor aqui dentro, ora bolas.
Um guarda que ia passando resolveu parar e jogou o reflexo da lanterna no interior do corró e aquilo bastou para que eles notassem a gravidade do clima. Melhor que calassem mesmo.
De seu lado, o menor C.S.O. vivia problemas com os outros na cela para onde fora levado.
– Olha só, gente, o brotinho aqui está assustado!
– Vem cá, senta perto de mim que vou acalmar você. – Que nome ficará melhor nele? – Fala Joel para si mesmo, aproximando-se e colocando as mãos nos ombros do recém-chegado. – Não se assuste, broto, não lhe faremos mal, só carinho.
– Isso mesmo... como é seu nome, para gente você pode falar. Como o outro só observava e não conseguia articular uma palavra, diz: – Tá bem, nós vamos batizá-lo. Você será "Sininho".
– Boa escolha – apressa-se a dizer Leandro, próximo à grade. – Sininho.Ele é mesmo tão delicado! – Ao dizer aquilo o menor que nunca imaginara ir parar nas mãos daqueles estranhos rapazes, sacode fortemente os ombros fazendo cair os braços que ali estavam apoiados, delicadamente.
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