Página 76 - Margarida Drumond de Assis
– Meu nome é Carlos e não sou o que pensam. Melhor que se afastem.
A voz de Carlos demonstrou que de fato ele estava seguro do que era, mas nem por isso estaria livre de sofrer a influência dos colegas de cela.
Num gesto instintivo puxou o cordão da sua calça comprida, de cor cinza e que era comum a todos ali, apertando-o bem, para, em seguida, sentar-se no lugar que lhe fora destinado pelo soldado.
– Tá bem, você é o Carlos, mas pra nós será Sininho, só pra nós, tá. Agora pode dormir, viu?
Alguns minutos de silêncio se seguiram e, quando Joel e o companheiro pensaram que todos estavam dormindo, aproximaram-se da cama de Carlos e já se preparavam para puxar a coberta para deitarem
ao lado dele, momento em que o garoto deu um salto, sem, no entanto, conseguir se livrar dos braços de Joel que insistia em lhe acariciar os órgãos sexuais em meio à sua aflição.
– Guarda, ô guarda, socorro, ia tentando dizer. – E um soldado parou, olhando o que acontecia – até riu – mas prosseguiu, passando após uma e outra cela, deixando que o iniciante na vida carcerária conhecesse o mundo que ali havia, o da promiscuidade, da perdição.
– Nojentos, afastem-se de mim! Por que não se agarram vocês mesmos, já não se bastam?
Ao ouvir tais palavras, os dois jogam-se no chão e já iam começar a transa quando um preso que estava na cama superior, mas que eles julgavam estivesse dormindo, fala:
– Basta, suas bichas. Será que não entenderam que esse aí não quer nada com vocês? O negócio dele é mulher.
– E aqui tem mulher, por acaso, sua anta? O negócio é a gente cooperar um com o outro.
– Ele não quer hoje, mas depois vai até se acostumar – exclama alguém no fundo.
Os elementos que momentaneamente haviam deixado Carlos no chão, estavam para retornar à aventura quando Vando pula da cama e cai na pele dos dois homossexuais que, depois, acabam indo parar cada um no seu canto.
Acompanhe mais amanhã...
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