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Livro em Novela - Aconteceu no Cárcere - 09/03/2016

Página 74 - Margarida Drumond de Assis


Ante aquela reprimenda, Vavá, que então percebera que iria complicar mais sua vida se continuasse falando, não fez senão se trocar e, rapidamente, entregou seus pertences ao superior.

– Aqui, soldado Edvaldo, leve os três para o corró para que lá reflitam no porquê de terem vindo parar em nossas mãos.

– Este aí – disse apontando para o menor de iniciais C.S.O. – bem, esse aí você leva para cela, a de número 21.

Acompanhado do colega de plantão, o soldado Julinho pegou seus cassetetes e foi levando os novos detentos para o lugar recomendado. Ao chegar à frente do corró que era um lugar fétido, sujo, onde se ouvia o barulho de ratos por todo canto, Lalado, como era conhecido o louro Geraldo, quis paraguejar, mas só de vê-lo fazer careta, o soldado Edvaldo, já tão acostumado às cenas dos presos estranhando aquela recepção, deu-lhe um empurrão de forma que ele foi cair de joelhos junto a um amontoado de sacolas cheias de fezes que ali eram jogadas propositadamente. Ao contato com aquela podridão (os ratos já haviam furado algumas das sacolas), Lalado não se conteve, sem imaginar que os guardas tinham ordens para observar o seu comportamento.

Com nojo, o novo detento desabafou:

– Somos gente, não vê?...

A resposta foi o bater da grade que então já estava sendo trancada pelo soldado Julinho.

No escuro daquele ambiente de onde saía um mau cheiro que contaminava as quase quarenta celas da cadeia de Dourado, Lalado, Vavá e o outro colega de nome Alex perceberam que, para não piorar a situação, o jeito era cada um fazer a sua parte se calando. Reconheceram que estavam mesmo numa pior, como diziam na gíria. Aquilo era ruim de aguentar.

– Caímos numa encrenca, pessoal, e agora? – o som vinha do preso mais próximo da grade e que, por isso, podia sentir bem pertinho a barreira que o isolava do pátio onde estavam alguns soldados fazendo a sentinela.

– Agora, Vavá, o negócio é esperar que o dia amanheça para tirarem a gente daqui pois prefiro crer que isto termine de manhã.


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