Aconteceu no cárcere - Página 69
... momento em que a boa Verônica enxugou seu rosto desfigurado. Ao todo são quatorze passagens.
Insistente indagou de novo pensando que a mãe esquecera sua outra pergunta.
– E o nome, fala-me do nome dele.
– O nome dele era Jesus. Cristo era o seu segundo nome, o que queria dizer que Jesus tinha uma missão a cumprir, a missão de Cristo, por isso o chamamos Jesus Cristo.
Todas aquelas lembranças vieram num segundo. Lembrou-se, Gilberto, então, de muitas árvores grandes num jardim em frente à igreja que sua mãe dizia ser a Catedral, uma palavra mais rara na sua compreensão.
– Por que essas árvores são assim tão altas, mamãe? – A pergunta era da sua irmã Lúcia, dois anos mais velha que ele, àquela época com oito anos.
E, com carinho, dona Adriana a tudo explicava:
– Essas árvores são palmeiras, elas são antigas e crescem muito mesmo. É por causa delas que muita gente diz que Caratinga é a Cidade das Palmeiras.
Gilberto agora percebeu que tinha consigo um registro importante.
Achou inadmissível que deixasse aquilo tudo guardado. Como é que podia ter se esquecido até mesmo o nome de Caratinga e nem mesmo voltara lá, desde que se mudara para São Gonçalo? Uma visita àquele lugar decerto ser-lhe-ia muito agradável.
Os olhos fixos no jardim, Gilberto, de repente, percebeu que o casal agora estava de pé e quem falava era a mulher. Ela gesticulava muito, parecia aflita. Imaginou tratar-se de uma discussão, mas ficou horas cismando sobre o quadro pois não pareciam jovens, mas sim um casal mais maduro.
O repicar de um sino que fez soar dez longas badaladas trouxe Gilberto à realidade de seu ambiente. Voltou-se à mesa para verificar as horas no relógio de pulso que ali colocara. A este tempo, absorto como estava, não percebera que alguém estava atrás de si abraçando-lhe a cintura.
– Oi querido. Você foi amável comigo. Você foi divino esta noite. – Enquanto ia dizendo, acariciava o rapaz que trazia seu peito descoberto, ...
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