Página 70 - Margarida Drumond de Assis
... pois ele não vestira a camisa. Colava seus lábios no pescoço, nos ombros vigorosos e lisos e ia descendo naquelas carícias até o final da medula espinhal, fazendo tudo em sussurros que soavam cheios do mais doce enlevo. Gilberto deixa-se levar e lentamente recebe os ardentes beijos daquela moça impulsiva e persistente que agora tinha à sua frente. Sentindo-se levado naquelas múltiplas carícias de Patrícia, Gilberto já não mais pensava, só agia.
Atenta às áreas que mais excitavam o rapaz, a garota beijava-lhe superficialmente os mamilos e, naquele vaivém, de um a outro lado, mordia-lhe com carinho descendo depois em contatos de mãos, lábios e língua e, em pouco tempo, estavam ambos, não no colchão da cama, mas no tapete macio do recinto.
Não me atenho aqui a descrever tudo o que a apaixonada Patrícia fez e disse então a Gilberto, mas lembro que Gilberto, rapaz sensual e ardente que era, deliciou-se nos quentes braços daquela que ele sabia ser uma moça audaz, que dizia amá-lo e não lhe dava sossego. Jovens e amantes, ambos se entregaram sem nenhuma precaução, sem constrangimentos.
Eram simplesmente um homem e uma mulher.
Um silêncio repousante, braços estirados, corpos esticados para os lados denotam que a entrega fora total. E teriam ficado assim, por muito tempo, se Gilberto não reagisse.
– Pronto, você tem que ir agora. É melhor que se vá.
Levantando-se e chateada pelo jeito frio de Gilberto pronunciar aquelas palavras, Patrícia ironiza:
– Nada mais tem a dizer? – Lentamente vai se vestindo e, depois, a bolsa dependurada nos ombros, observa-o enquanto ele veste agora uma camisa mas deixando-a desabotoada até o peito, permitindo entrever aqueles músculos que ela tanto amara há pouco. De outro lado notara a tranquilidade satisfeita de seus gestos, embora também notasse que ele divagava em seus pensamentos.
– Mas, Gilberto... por que você não admite me aceitar?
– Aceitar você? – a pergunta sai em uma tal naturalidade que deixa magoada Patrícia.
– Gozado... ainda há pouco tudo era emoção e música, agora que me vou é como se tudo não tivesse passado como num relâmpago.
Amanhã tem mais! conte a todo mundo!
Nenhum comentário:
Postar um comentário