Página 68 - Margarida Drumond de Assis
Capítulo X
De como Gilberto se vê com a mãe, em Caratinga, e Patrícia aproveita seus devaneios
Apoiado no parapeito da janela do quarto, Gilberto fitava as árvores, as pessoas que passavam e os casais de namorados. Num banco além, um homem falava o tempo todo enquanto uma mulher apenas fazia flexões de cabeça e ele até pensara que se tratava desses dominadores que só falam, falam, falam, julgando-se os donos da verdade. Ao ver aquela cena lembrou-se de sua mãe que há muitos anos fora embora de casa. Ele só recordava mesmo é de como ela brincava com ele quando ainda criança, dos passeios que fazia à casa da vovó Rosa e vovô Eurico numa cidade em Minas. Gilberto permaneceu olhando o cenário que se lhe apresentava, mas nada via. Sua atenção voltava-se então para o que sua mente buscava recordar. A que cidade pertencia aquele povoado por onde correra tantas vezes?
Aos poucos a sua memória, como numa fita cinematográfica, vai lhe apresentando os morros que ele, então muito criança, às vezes reclamava ter que subir, mas, em outras, curtia muito, pois lá do alto observava as inúmeras casas embaixo, as ruas, o prédio de uma escola que a mãe dizia ser uma Faculdade e que ele achava muito bonita. Aos poucos foi se lembrando da igreja com muitos desenhos coloridos nas janelas estreitas e compridas. Recordou até o que sua mãe lhe dissera.
– Estes desenhos, filho, cada um deles representa uma passagem da Paixão de Cristo.
– O que é paixão, mamãe? O nome dele não é Jesus também? – Perguntara em sua curiosidade infantil ao ir descobrindo os mistérios divinos.
– Paixão é sofrimento, é tudo o que Cristo passou antes de morrer. Cada queda que levou com a cruz, o encontro com sua mãe Maria, o ...
Amanhã tem mais, desa linda história!
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