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Livro em Novela - Aconteceu no Cárcere - 22/02/2016

Aconteceu no cárcere - Página 65


– O senhor não pode estar falando sério, são centenas de presos! A exclamação sai num tom compenetrado, mas cheio de curiosidade, de Paula que fica admirada com a decisão do médico de Pitamba.

– Nota-se que você não conhece o doutor Lucas – diz sorrindo, interessado, Julião – esse aí quando decide algo vai longe.

– Vamos começar já. O soldado Felisberto – agora promovido a cabo – avisou aos presos das celas que ficam no primeiro pavilhão.

Uma interessante conversa se desenvolve entre aqueles três atentos defensores da saúde, enquanto iam preparando todo o material a ser usado.

Em uma mesa com um forro branco numa sala ampla, estão diversas seringas descartáveis, alguns vidros bem tampados contendo as peças principais para uma assepsia ao colher material para os exames de sangue.
O doutor queria se certificar de que ninguém ali ficara com algum problema oriundo da fatídica epidemia; ademais o diretor ordenara atenção no tratamento pois a intenção é que todos os detentos pudessem voltar a produzir, normalmente, em suas respectivas repartições de trabalho.

Todo o dia foi um entrar e sair na sala de exames onde Paula e Julião atendiam olhando a pressão arterial (P.A.) e colhendo o sangue para exames, enquanto, numa outra, o Dr. Lucas examinava cada preso.

Alguns dias de intenso trabalho e, em um deles, uma cena que deixou perplexa a persistente enfermeira que fora parar ali em Pitamba, pura e simplesmente para tentar reencontrar o seu amor, o seu carinhoso e apaixonado Inácio que se fora de Dourado há tanto tempo.

Num traje bastante surrado como era aquele uniforme marrom da cadeia, surge, na sala de P.A., um rapaz que assusta a jovem.

– Ora... ora... a enfermeira que aqui está é a cara priminha!

– Humberto!

Percebendo o embaraço da colega e ao vê-la pronunciar o nome daquele preso que ainda não passara pela enfermaria desde a chegada de Paula, Julião que caminhava para a mesa onde iria pegar o estetoscópio, para.

– O que há Paula, você conhece esse moço? Cuidado, nós só devemos cumprir nosso serviço. Nada de conversas com os detentos.


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