.

.

Livro em Novela - Aconteceu no Cárcere - 23/02/2016

Página 66 - Margarida Drumond de Assis


Assustada, a moça fica por alguns instantes silenciosa, mas depois reage.

– Foi um engano, é que ele se parece com um amigo que desapareceu, há algum tempo. – Aquelas palavras saem automaticamente ao mesmo tempo em que fixa os olhos do rapaz que se sentava esticando o braço que ela tomava em posição para coleta do sangue.

– Tá me confundindo mesmo, mas confesso que, a princípio, também eu suspeitei que fosse uma prima. – E, num sorriso que disfarçava segundas intenções, acrescentou: – De fato é uma grande semelhança.

Paula rasgou cuidadosa e calmamente o pacote que trazia uma seringa esterilizada, pegou o algodão embebido no álcool e fez a assepsia para depois introduzir a agulha numa veia do braço esquerdo de Humberto.
Desviando os olhos que até então trazia fixos no rapaz, soltou o garrote que apertava o antebraço para fazer aparecer melhor a veia. Tratava, agora, de executar o trabalho e terminou tudo automaticamente. Em seu íntimo ficava tentando imaginar o porquê de, também ele, ter mentido. O que pretendia aquele homem? Será que depois iria armar uma situação para incriminar a sua presença naquela casa?

Um atordoamento tomava conta da jovem; assim, foi com surpresa que ouviu Julião.

– A pressão deste moço está anotada, vou me retirar um pouco para o café. Você também deve fazer o mesmo.

– A priminha está com a sorte do lado. Veio parar exatamente ao lado do queridinho. – As palavras saíam ferinas, mas ela o detém.

– Responda-me, Humberto, e com urgência. Por que você está aqui na mesma prisão para onde veio Inácio? Pense dez, vinte, trinta vezes antes de arranjar mais confusão para a vida dele.

– Ora, lindeza, não entendo porque está assim tão nervosa?

– Nada nem ninguém tira da minha cabeça que é você o culpado pela morte de Alfredo. Não consigo organizar as ideias, mas, se Deus quiser, descobrirei o que aconteceu.

No ouvir de passos próximo à sala e notando a intenção de Paula sair dali, solta à queima-roupa:

– Devagar com o andor, mocinha, olha o que diz. Não se deixe levar pela sua fértil imaginação pois você corre risco também.

Amanhã tem mais!!! Oba, fala com os amigos!

Nenhum comentário:

Postar um comentário