Página 64 - Margarida Drumond de Assis
Capítulo IX
De como os primos se encontram, em Pitamba, e um mau
caráter se vê a descoberto
– Soube que o Inácio conversou com o diretor outro dia e que irá trabalhar fora pelo regime de semi-interno, é mesmo verdade Julião?
A pergunta de Paula que saíra com sua habitual naturalidade não teria chamado a atenção se, ao efetuá-la, o seu rosto abaixado não estivesse tão corado.
– Parece mesmo ser isso aí, mas porque você ficou assim tão vermelha, estaria a cara colega se apaixonando por um preso?!
– Deixe de imaginar as coisas, não é nada do que está pensando.
O enfermeiro silencia, limitando-se a sorrir. A este tempo entra o doutor Lucas, muito bem disposto.
– Onde é que está aquele moço esperto que me tirou do sufoco? – Olhando para todo lado não o vê e, diante da fisionomia séria e pálida de seus interlocutores, deduz que ele voltara à cela. – Mas ele é de grande valor no seu trabalho, não deveria ficar preso.
– Pode se alegrar, ele está em sair para trabalhar no Hospital Santa Clara.
– Essa é uma boa notícia, aquele Inácio é um doutor de muito conhecimento. – Num gesto extensivo àquele espaço, indaga: – e os médicos que estavam aqui, onde foram parar?
– Assim que tudo se normalizou, foram chamados de volta ficando mesmo só a enfermeira Paula que tem sido boa colega.
– Ele quer dizer, doutor Lucas, que nós temos ficado mais tempo batendo papo do que trabalhando. – E sorrindo: – ainda bem, não é mesmo?
– Meus amigos, agora vocês terão muito serviço, pois estou de volta e com o firme propósito de fazer uma revisão em cada preso.
Amanhã tem mais! compartilhe, conte aos amigos!
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