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Livro em Novela - Aconteceu no Cárcere - 18/02/2016

Página 60- Margarida Drumond de Assis


Capítulo VIII

Novas perspectivas para a vida de um preso bem comportado



A cada dia que passava e que os doentes iam sarando, mais aflita ficava a ajudante de Julião naquele centro de reeducação de Pitamba e, uma vez acompanhada da equipe vinda de fora com autorização do Ministério, menos chance encontrava Inácio para voltar ao trabalho na enfermaria.
Estava ansioso por encontrar-se com ela, porém não via pretextos que pudessem reaproximá-los. As poucas vezes em que se falaram – e ele percebia ser um plano que ela experimentava – havia sempre uma terceira pessoa. Depois, tinha Inácio um desejo de ver-se em atividade diária, pois era mais fácil de passar o tempo assim, que ficar o dia todo preso somente a fitar um pequeno pedaço do firmamento. Por que será que ele foi ficar em uma cela pior que a anterior? Cada dia parecia uma eternidade, ainda mais agora que sabia que a sua querida Paula estava trabalhando ali.

Inácio não percebeu quando dele se aproximou um dos membros da guarda, tão entregue estava em suas divagações, notando-o somente quando a tranca da grade caiu. O olhar atônito e ao mesmo tempo indagador acusava sua aflição e ansiedade. Se depois de ter ficado tantos dias salvando vidas foram capazes de deixá-lo numa cela tão isolada e ainda sem direito a um trabalho, o que iriam aprontar agora?

Cumprindo o seu trabalho, o Cabo Walter esticou até o canto a grade, dizendo:

– O senhor pode me acompanhar. O diretor manda que vá até a sua sala. – Percebendo a indecisão do detento olhando-o assustado, acrescenta. – Coragem, homem, nada de mau acontecerá.

– As coisas aqui vão se normalizando e se o senhor é chamado à diretoria é sinal de que acharam tempo para pensar na sua situação.

Amanhã tem mais!!!! #compartilhe!

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