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Aconteceu no Cárcere

Aconteceu no cárcere - Página 61


– Cabo, eu é que devo chamá-lo de senhor, aqui sou prisioneiro como outro qualquer. – Virando-se, mostra a cela imunda e mofada.

– Não sei se poderia ficar aqui a falar essas coisas... mas o senhor é porque todos que tiveram olhos para ver, viram muito bem o quanto foi importante o seu trabalho nos dias da peste. Creio que se o doutor que o senhor é, Inácio, que se não tivesse dado o alerta, muito mais gente teria sucumbido. – E reparando na cela, acrescenta: – Só não entendi porque o trouxeram para este lugar.

– É o que busquei entender em todos esses dias, embora eu não me esquecesse de que sou um dos presos.

– Era para eles terem colocado o senhor numa área de produção, lá poderia trabalhar e... – mas vamos logo, que o senhor Pedro está à sua  espera.

– Estou pronto, vamos.

Depois de atravessar dois longos corredores, Inácio sobe uma escada e chega a uma sala enorme. Sua forma era retangular e tinha, na parte dos fundos, uma grande mesa e, ao centro dela, uma cadeira alta, tipo giratória, onde estava bem situado o diretor da Penitenciária de Pitamba.
Tão logo Inácio entrou na sala, foi reparando todos os detalhes, se bem que rapidamente, mas deu para perceber uma estante com muitos livros. Um dos livros chamou a sua atenção, viu entre muitas coleções, a maioria de capas duras e coloridas, a dos livros sagrados, a Bíblia, que estava bem colocada numa prateleira central – e o que reparou bem – aberta. Aproximando-se da mesa do senhor Pedro, pensava permanecer com os braços para trás, conforme costume dos prisioneiros ao falar com um superior quando não estavam algemados, todavia prontificou-se para o cumprimento pois o diretor estendeu-lhe – para sua admiração – a mão.

– Pois não, senhor.

– Inácio, você e eu precisamos conversar – disse o diretor mostrando-lhe a cadeira para que se sentasse.

– Estou à disposição, a respeito de que o senhor quer falar? Eu...

Notando a insegurança e todo o respeito natural que um preso deve ter, o diretor apressou-se em dizer:

– Somos muito gratos pela assistência que você prestou aqui quando da doença... como é mesmo o nome?



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