Página 34 - Margarida Drumond de Assis
A moça sentiu os seus dedos carinhosamente apertados na palma da mão de Gilberto que deixava-se envolver pelo frescor do perfume que vinha de seu corpo.
– Você é caso sério para o meu futuro. Em tudo que penso para depois, você está presente... e bem sabe disso, querida. Agora diga-me, para que lado vamos, em qual lugar prefere ir, ao clube campestre ou às cachoeiras, ou quem sabe ao litoral mesmo?
– Às cachoeiras, é claro. – Ergueu seu rosto colocando-o junto ao do companheiro, beijando-o feliz.
Pouco depois os dois se encontravam num corcel bege, rumo às cachoeiras onde a natureza se fazia sentir cada vez mais verde e convidativa.
O barulho da água caindo pelas pedras fez com que Paula e Gilberto se olhassem numa silenciosa comunicação. Quantas vezes já tinham estado ali nenhum dos dois sabia; vez ou outra iam ao clube e, quando tal acontecia, era por escolha de Gilberto, uma vez que Paula acalentava n'alma uma doce esperança de um dia reencontrar Inácio no mesmo local onde tinham estado juntos pela última vez, na farta grama sob uma das árvores que circundava a represa maior junto a uma imensa cachoeira.
Gilberto nada sabia sobre estes segredos. Então, pensando que aquele lugar era preferido pela sua amada unicamente pela sua beleza, estava sempre disposto não tendo nunca uma objeção a fazer. Ademais, ele ficava feliz com a ideia de poder estar a sós, de sexta-feira à noite até a manhã de segunda-feira, com Paula e, agora que o sol lançava seus raios dourados sobre aquelas lindas áreas verdes e tão cheias de encanto, sentiu-se envaidecido por ter a companhia de uma adorável pequena.
– Sinto-me feliz por estar aqui. Você está feliz?
Achegando-se para o lado dele um pouco mais, Paula deu-lhe um beijo na face dizendo.
– Muito feliz, eu já sentia saudades.
– Puxa, mas estivemos aqui não faz vinte dias, meu bem – retrucou retribuindo-lhe o beijo, logo depois de desligar o carro, deixando-o à sombra de uma árvore.
– É... mas é que gosto demais de vir aqui. Isso tudo é simplesmente maravilhoso e não sei como exista quem prefira o clube – respondeu estendendo um braço de uma extremidade a outra.
Amanhã tem mais um pouco dessa linda história.
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