Aconteceu no cárcere - Página 33
Amanheceu um dia lindo, promessa de muitas alegrias para as pessoas que estivessem dispostas a um passeio pelos arredores de São Gonçalo, cidade acolhedora onde Paula e Gilberto se encontravam; ambos levantaram animados, dispostos a vencer qualquer sombra de dúvida que se lhes apresentasse, a fim de desfrutarem bem aquele fim de semana que teriam, isolados dos olhares maliciosos do pessoal de Dourado onde moravam e do sr. Hélio que não perdia uma chance para desferir sobre Paula todo o impropério de palavras, mostrando como a desconsiderava e que não aprovava o relacionamento dela com seu filho.
Paula sabia daquela discriminação mas fingia ignorá-la uma vez que Gilberto desmanchava-se em atenções e demonstrava, sempre que podia, o quanto a amava. E aquele passeio que estavam fazendo tornava evidente que se ele queria passar dias e noites ao seu lado só podia ser porque gostava muito dela. Havia, já, mais de dois anos que não recebia notícias de Inácio e, nos últimos quatro meses, deixara que seus impulsos carnais aderissem aos carinhos de Gilberto, sempre apaixonados e persistentes, disposta a apagar de seu coração um pouco da tristeza que sentia por não saber sequer onde seu amado se encontrava. Um dia, juntos no apartamento dela, uma noite em viagem, sozinhos para um passeio mais distante, mais e mais tempo juntos... quando Paula se deu conta tornara-se amante daquele homem forte e bonito, mas que entrara na sua vida de uma forma misteriosa, justamente quando ainda chorava a transferência repentina de Inácio, da prisão de Dourado não se sabia para onde. Certa vez a jovem começou a suspeitar de Gilberto pensando que ele soubesse o paradeiro de Inácio, mas acabou deixando este pensamento de lado achando-o, depois, inviável.
Gilberto enlaçou o bonito corpo de Paula beijando-lhe a testa, sorrindo, e disse insinuante:
– Qual será o lugar hoje que terá o privilégio de receber a soberana e bela presença da princesa de Dourado?
– Eu vou acabar me considerando uma princesa mesmo, meu "príncipe Charles"*; tome cuidado pois serei capaz de jogá-lo trono abaixo caso me leve a sério nos seus planos para o futuro.
*À época de 1981, o príncice Charles, da Inglaterra, era marido de Dayana.
Amanhã tem mais dessa linda história.
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