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O livro em Novela - Aconteceu no Cárcere 18/01/2016

Página 32 - Margarida Drumond de Assis


A porta se abriu e Paula viu a silhueta bonita e segura do homem com quem viera para aquele lugar, há dois dias. Imediatamente a luz foi acesa e a fraca claridade do abajur que ela trazia ligado, ficou sem qualquer efeito. Vendo que Paula permanecia como que petrificada perto da janela, Gilberto caminhou em sua direção.

– O que acontece, querida, por que este terror em seu rosto, quem você pensou que eu fosse, um fantasma?

Ouvindo aquela voz e sentindo os braços que enlaçavam seu corpo, Paula abraçou-o, entre feliz e atônita.

– Que bom que você chegou, eu estava mesmo vendo fantasmas, tamanho é o silêncio reinante aqui. Por que demorou tanto, querido? Se eu soubesse que iria demorar assim, teria ido junto. Queria descansar... mas aqui é silencioso demais, acabei ficando temerosa.

– Que bobagem, meu bem, eu me atrasei um pouco mas foi porque o papai estava dando um balanço na loja e me pediu que o ajudasse. Como eu sabia que estava bem alojada e segura, fiquei lá até mais tarde.

– Que desculpa mais esfarrapada, Gilberto – balbuciou Paula afastando-se enraivecida, e acrescentou: – você disse que estou segura neste lugar, mas não sei porque pensa que preciso me sentir segura. Cometemos algum crime, por acaso!?

– Paula, Paula, escute, você está muito amarga comigo só porque me atrasei um pouco. – Vendo que se esquivava, tomou-lhe as mãos, postou-se diante dela olhando-a nos olhos dizendo: – Eu a amo e é só por isso que quero sempre sabê-la bem protegida; não quero que ninguém venha molestá-la. Você é minha pequena, querida, eu ficaria infeliz demais se por acaso algo lhe acontecesse, mas não se assuste, não há motivo para eu temer assim, reconheço, é que sou um cara desconfiado demais. Perdoa-me o atraso, está bem?

Em resposta, Paula aceitou as carícias de Gilberto permitindo que aqueles longos e ágeis dedos passassem por entre seus cabelos e deslizassem suavemente pelo seu rosto; deixou que lhe apertasse os ombros puxando-a ao encontro do musculoso peito e, finalmente, correspondeu ao longo e ardente beijo que sempre dava início ao momento maior, o momento de se entregarem, de se amarem, quando então seus corpos, satisfeitos, descansariam calmos um ao lado do outro.

Amanhã tem mais dessa linda história.

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