.

.

O livro em Novela - Aconteceu no Cárcere 11/01/2016

Aconteceu no cárcere - Página 25



... dia sem nenhum conforto, sem direito a ser tratado como deveria, afinal era humano.

"Paula, Paula, alimentei tantos sonhos para uma vida feliz ao seu lado. Estou aqui desprovido de qualquer meio que me favoreça sair à sua procura. Em que lugar você estará agora? Por que motivo não veio me ver? Rogo aos céus que a protejam, pois um dia tudo irá mudar e, então, poderei lhe falar de meu amor... vamos nos casar, você vai ver. Se não me dão nenhum crédito, acabo arrebentando com tudo e, num descuido destes malucos, eu fujo".

Foi um azar tremendo aquele escorregão que levou quando tentava ultrapassar a última barreira que se lhe apresentara no dia de sua fuga, uma semana atrás. Bem que Euclides lhe avisara: "Cuidado Inácio, aquele muro é um perigo, é alto demais, cheio de cacos de vidro... e, depois, tem o telhado que, com toda esta chuva, estará escorregadio". De nada serviram os conselhos do amigo da cela onde ficara desde seis meses após seu julgamento, quando, então, fora sentenciado a 20 anos de prisão e
inicialmente ficara na cadeia de São Gonçalo.

Inácio recordava essas coisas com muita amargura no coração e se enojava de ver a cara maldosa do tenente Mauro quando lhe empurrava naquele cubículo frio onde estava sujeito à ação do tempo, recebendo, sobre seu corpo cansado, ora o calor do sol ora a friagem das chuvas.

– Um mês você viverá aí dentro e espero que isto sirva de lição. E, lembre-se, nada de café; sua refeição constará do almoço e da sopa que virá à noite. Nada de reclamações, entendeu!

O olhar gelado do tenente Mauro dizia-lhe muito mais coisas, e Inácio não ousava, por isso, ensaiar qualquer argumento. O prisioneiro que enfrentasse aquele homem com uma única palavra acabava sempre indo para a masmorra, um lugar de castigo que era terrível.

Pois bem, se o objetivo daqueles falsos homens – é isso mesmo, falsos, porque pareciam desprovidos dos bons sentimentos de um ser humano – se o objetivo deles era provocar-lhe a raiva e a agressão, estavam enganados, pois iria suportar tudo esperando o dia em que colocá-lo-iam, de novo, numa cela normal onde, depois, com direito a tomar um pouco de sol, poderia realizar seu mais veemente intento: fugir daquele suplício. ...

Amanhã tem mais desse incrivel romance.

Nenhum comentário:

Postar um comentário