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O livro em Novela - Aconteceu no Cárcere 12/01/2016

26 Margarida Drumond de Assis



É verdade que não sabia de ninguém que tivesse conseguido escapar de Pitamba, mas ele encontrava esperanças em seu coração e, desta vez, conseguiria, com toda certeza. Saberia agora esperar a hora certa.


O tempo passara veloz e quando Inácio percebeu sentia em si o forte e aquecedor raio de sol o que o alegrou, pois o astro rei dava mais forças ao seu corpo alquebrado daquela triste vida na prisão. Seu estômago roncava e suas pernas enfraqueciam; cada vez mais sentia grande vontade de sorver uma forte xícara de chá e de comer um pedaço de pão. "Como desejava sentir-me revigorado", mas, não, a espera, a longa espera por uma refeição deixava-o, às vezes, muito triste. E pensar que só almoçaria às 11 horas!

Sentindo o sol invadir sua cela, recuperou o ânimo e resolveu pegar uma revista para ler; estava para iniciar a leitura quando avistou um desconhecido caminhando em sua direção. Levantou-se lenta e silenciosamente reparando em cada traço daquele rosto como se isso fosse o mais importante da sua vida, aliás, era mesmo: tratava-se de uma novidade naquela monotonia da prisão. Ele não podia ainda trabalhar e era forçado a aceitar o cotidiano imposto por um regulamento muitas vezes desumano.

– Então você é o Inácio da minha querida Paula. Sinto grande alegria em vê-lo.

Ouvir alguém pronunciar ali aquele nome, o nome de sua amada, aniquilava-o, acabando com qualquer preocupação que porventura ainda povoasse a mente de Inácio; assim, logo se viu perguntando.

– Quem é você? Por que fala em Paula, assim, com tanta intimidade... o que sabe dela? – Percebendo que o outro se divertia com sua aflição dirigindo-lhe o mais vil dos sorrisos, expressou, quase aos gritos: – Não está me ouvindo, quem é você, onde está Paula?

– Calma, mocinho – retrucou o desconhecido. E, debochado, prosseguiu: – não se apavore, não vou fazer nada a você... Sobre Paula, nada posso lhe dizer além de que se encontra em muito boa companhia e que... 

– Vamos, diga... por favor, quem é você, diga-me quem é! Não me lembro de tê-lo visto uma única vez.

– E não viu mesmo, eu sou primo de Paula e meu nome é Humberto Vidigal. Quanto à sua querida Paula, asseguro que está muito bem. Vive ...


Amanhã tem mais desse emocionante romance

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