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Livro em Novela - Aconteceu no Cárcere 05/02/2016

Pátgina 50 - Margarida Drumond de Assis

Assim, entregue à imaginação, custou a dar fé que a campainha da casa estivesse tocando. Gilberto que saíra, por um momento, não levara a chave consigo e teve que esperar.

Uma vez no quarto, passada a raiva que sentira ali mesmo naquela casa, ambos estão na cama e aos poucos voltam a conversar.

– Não estou conseguindo me fazer amar, não é mesmo, Paula?

Esforço-me, mas não consigo fazê-la esquecer aquele rapaz que lhe trouxe tantos problemas. Eu sei que você é infeliz.

– Querido, deixe disso, deixe de agir como uma criança mimada.

– Não, amor, desta vez eu vou dizer o que penso realmente. – Os dedos de Paula, na posição vertical, tentam impedir que continue; ele, porém, os afasta. – Acredita que eu não sei que você vive querendo saber onde está o Inácio?

Com um gesto de cansaço, vira-se para o outro lado para não ter de fitá-la. E a luz é apagada no apertar de um botão, próximo à cama. Mesmo no escuro, Paula se aconchega para junto dele e murmura.

– Meu querido, eu não reclamei de nada e nem mesmo falei nele. 

Gilberto deixa que as mãos dela acariciem seu rosto, apesar do que diz:

– Este comportamento não quer dizer que o tenha esquecido.

Mais algumas palavras e um silêncio vem como prenúncio de uma relação amorosa.

– Sei que preciso de você, amor. Beije-me, ame-me apenas. Nada mais.

– Adoro você, querido, acredite. – Abraços, beijos, carícias... aquele leito parece ser um espaço pequeno para ambos que, já loucos de desejo, rolam de um lado para outro até que se entregam completamente no impulso de seus corpos.

Na manhã seguinte uma visita coloca Paula frente a uma realidade nova.

– Que surpresa vê-la hoje aqui, Patrícia. A que devo esta visita?

A primeira impressão de Paula era que Patrícia estava ali para falar das coisas que aconteciam nas noites de São Gonçalo ou, então, só mesmo para papear, mas aos poucos vai notando que algo a inquieta. ...

Compartilhe que amanhã tem mais uma página.

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