Aconteceu no cárcere - Página 49
Capítulo V
De como Patrícia, procurando proveitos, acaba empurrando a rival na
realização de um almejado sonho
Em casa, Paula estava silenciosa fitando a paisagem que se estendia diante da janela: os muitos prédios de um lado, uma paraça próxima à igreja com muitas árvores, casais sentados nos bancos, as luzes iluminando as ruas... olhava tudo, mas nada via; seu pensamento voltava-se para o que
lera no jornal daquele dia.
– O que vê aí dessa janela há tanto tempo, querida? – indaga Gilberto colocando as mãos em seus ombros.
Enrubescendo, Paula deu-lhe uma resposta mordaz:
– Às vezes se quer ficar sozinha.
Mal proferiu essas palavras, arrependeu-se; se ele ali estava era porque não queria deixá-la só. E porque a amava. Mas já era inútil reclamar agora, ele se afastara chateado e ela sabia muito bem que uma vez magoado, era melhor não insistir.
Deixando-se estar no sofá daquela ampla sala por alguns minutos, Paula meditava sobre sua vida com Gilberto, mas logo esquecia-se de tudo para pensar no que lera. A Penitenciária de Pitamba estava em polvorosa; logo lá onde todos diziam que era uma prisão exemplar. Se era assim, o que não poderia acontecer em casas de reclusão onde os detentos ficavam presos sem direito a um trabalho, sem assistência médica, sem higiene!
De repente se assusta com uma ideia: e se o seu Inácio estivesse entre os doentes de Pitamba ou mesmo entre os que já haviam morrido. Pega de novo o jornal e repara a relação de nomes dos que haviam morrido. Não, é claro que o nome dele não constava, mas, depois, quem disse que é naquele
local que ele se encontrava?
Tem mais amanhã! Compartilhe.
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