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O livro em Novela - Aconteceu no Cárcere 09/01/2016

Aconteceu no cárcere - Página 23


Inácio, entretanto, não desiste e lança mão de outros argumentos.
Felisberto haveria de condoer-se com o seu estado.

– Preste atenção, se me dá essa "mão", não vai se arrepender. Você sabe que isto aqui é tudo uma porcaria e que a maldade dos superiores não tem tamanho. Não lhe quero mal, mas pode precisar de mim.
– Como insiste, hem! Tudo é horrível sim, mas não posso arriscar.
– Puxa, só por uma hora então, para esquentar um pouco.
– Tá bem, vá lá, mas não durma senão o risco é maior.

A persistência de Inácio deu certo. Agasalhado e cobrindo-se até à cabeça, sentia-se mais vivo, sentia-se gente. Realmente Felisberto era humano – reconheceu.

O aconchego naquele cobertor trouxe paz ao Inácio que, mesmo fazendo o maior esforço para não fechar os olhos, acabou caindo num sono profundo, só acordando ao ouvir o Felisberto que viera depressa à sua cela depois de ouvir barulho de soldados escoltando um prisioneiro que, na certa, fora pego em algum delito, dada a pancadaria que se ouvia.

– Inácio, a coberta depressa. Vem gente aí... e das piores.

Vendo que o seu protegido demorava a ficar de pé, enfia as mãos através das grades numa agilidade espantosa e, de um arranco, puxa a coberta, correndo, em seguida, na direção dos que acabavam de chegar.

Infelizmente, mesmo no meio daquela confusão, o tenente Mauro notou o agasalho em seus ombros.

– Como é que pode ficar andando assim. Um soldado de verdade não precisa se proteger do frio deste jeito. Você devia estar pronto para uma eventualidade, um chamado.

– É justamente o que vinha fazer quando percebi que chegava alguém, mas na pressa me esqueci disso, senhor – explicou olhando a coberta agora enrolada em suas mãos. Temeroso, foi se desculpando enquanto reparava na quantidade de sangue que escorria da boca do infeliz que acabava de entrar em Pitamba. – Peço que me perdoe, tenente, não me esquecerei do que disse.

O tenente ignorou as desculpas do seu subordinado e prosseguiu em tom ainda mais enérgico, pois lidava, agora, com um elemento que fora pego exatamente no momento em que ia desferir uma punhalada no peito de um semelhante.

Amanhã tem mais dessa incrivel história.

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