PRIMEIRA PARTE
Comete-se um crime e ele logo se torna visível neste mundo
transparente... Alguma circunstância sempre transpira".
Ralph Waldo Emerson
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Aconteceu no cárcere - página 21
Capítulo I
De como Inácio, após uma tentativa de fuga, vai parar numa gaiola e, repentinamente, ouve falar sobre Paula A um barulho de chaves, o detento Inácio dá um pulo de sua cama pondo-se à espreita. Com redobrada atenção consegue divisar, num canto do pátio, a figura de um homem corpulento e de olhos assustadores.
Tratava-se de Quirino, guarda que impunha terror à maioria dos prisioneiros da "Penitenciária de Pitamba".
Gesticulando a todo momento e quase aos gritos, ele chamava a atenção de Felisberto, um outro guarda. O que teria acontecido agora de tão grave para tirar do sono o ilustre protegido do chefe, o resoluto e malvado Quirino que nunca se dignava prestar um favor, uma ajuda, a
quem quer que fosse?
– Ainda não me ouviu... então está dormindo?! É assim que faz o guarda Felisberto! Não é de se estranhar que os presos tenham experimentado fugir muito mais vezes nesta semana. Um guarda dormindo, essa é demais.
– Desculpe-me, senhor – responde sobressaltado, Felisberto, que acabara de acordar com todo aquele vozerio em sua área de serviço – é a danada da gripe que está me deixando bambo de sono. Mas pode deixar que não durmo mais não.
– O que você acha que estou fazendo seu bestalhão, são duas horas da manhã e aqui estou. Um grupo de quatro homens tentava escapar, a nado, pelo rio, e você aqui na moleza! Escute bem uma coisa: como punição eles foram para a "solitária" e é bom abrir os olhos, do contrário, quem será castigado no duro é você.
– Tá bom, desculpe... desculpe – ia tentando se justificar, temeroso de uma repreensão mais séria.
– É só o que sabe dizer! Desculpe...
Amanhã tem mais dessa linda história.
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