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Livro em novela - Aconteceu no Cárcere - 26/01/2016

Página - 40 - Margarida Drumond de Assis

– Estranho que não tenha percebido, você que está sempre atento a tudo.

– Tem razão, esta noite dormi como um anjo e tive sonhos, muitos sonhos, acho que tentava concluí-los e assim não me permiti acordar.

– Uai, cara, mas com que sonhava então, era você um detetive, por acaso, nesses sonhos?
Estavam assim entretidos e não perceberam alguém se aproximar.

– O que tanto conversam aí, seus ordinários, chega de papo. Trabalhem!
Surpreendidos pelo soldado Nelson que lhes dera um chute nas pernas, os dois prisioneiros se calaram.

Horas mais tarde, nos banheiros da ala da frente, Inácio está se ensaboando quando um nome chama a sua atenção. Ouvira falar o nome de sua garota ou estaria tendo imaginação? A água caía sobre o seu corpo mas ele não se mexia, só ouvia, tentando identificar aquela voz.

– Você nunca ouviu falar, então, de um moço bem apessoado que veio para cá depois de ter passado na cadeia lá em Dourado?

Inácio não duvidava, era Humberto, o rapaz que aparecera ali, assim sem mais nem menos, e falara de Paula.

Humberto sai, e o rapaz que estava no banheiro com ele sai também.
Em seguida, Inácio, enrolado em sua toalha, observa para onde os dois seguiam e os vê entrando na cela que ficava bem em frente à sua.

"Felizmente, vamos nos encontrar de novo, ia pensando consigo mesmo. Engraçado, Humberto, se você foi preso por ter agredido o tal Gilberto, já devia ter saído daqui. Faz tanto tempo e eu perdera a esperança de desvendar este mistério".

Inácio meditava essas coisas e, assim que foi tocada a sirene para o lazer, já ia correr ao pátio, mas, como estava sendo observado pelos colegas, teve que despistá-los antes de ir procurar Humberto no que os amigos estranharam.

– Quer dizer que hoje não vai jogar "buraco" com a gente? Está enjoado de nossa turma, Inácio?!

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