Aconteceu no cárcere - Página 53
Capítulo VI
De como o médico e o diretor do presídio de Pitamba ficam entregues nas
mãos de um detento que, pasmo, reconhece Paula
entre os membros do Ministério
Um telegrama passado ao Ministério da Saúde pela direção daquele presídio e, posteriormente, um minucioso relatório fizeram chegar à Pitamba um inspetor sanitário.
As medidas de urgência começaram a ser tomadas quando os próprios presos se recusavam a receber alimentos feitos naquela casa, conforme orientara Inácio; assim as pessoas foram ficando sem adoecer. Apesar da dureza do Dr. Lucas em não querer admitir as sugestões do médico detido, sentiu-se pressionado e, de certa forma, preocupado com a sua posição. Era ele o clínico, há muitos anos, e deixar uma situação daquelas continuar poderia ser pior; assim, resolveu dar toda a liberdade para o seu companheiro de profissão agir.
– A primeira coisa que preciso agora – ia dizendo decidido, o jovem médico – é que o senhor procure repousar um pouco. Deve se cuidar, está nesta luta há tanto tempo.
– Nós precisamos de mais médicos, enfermeiros, de mais remédios aqui. O inspetor trouxe as vacinas e isso foi bom, mas não é o suficiente, tem muita gente doente ainda – respondeu o outro, indiferente.
Muito preocupado, Inácio indaga ao doutor Lucas:
– Por falar em vacinas, o senhor recebeu a vacina? – Ao ver o sinal negativo, não se perdoa. – Como fui tolo, o senhor não teve tempo para si, só olhando um e outro e sem tomar nenhum cuidado, alimentando-se aqui... tomando água aqui.
Inácio dizia todas aquelas coisas enquanto olhava o doutor que já dava sinais de fadiga.
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