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Livro em novela - Aconteceu no Cárcere 02/02/2016

Aconteceu no cárcere - Página 47

– Ah, você quer dizer alguma coisa... pode falar.

– Doutor, todos estes sintomas significam uma doença muito séria, tenho que dizer.
– Isto é um surto de meningite, eu sei.

– O senhor então já sabia e, mesmo assim, não fez nada!

– Tenho os meus motivos para não revelar o que está ocorrendo.

Inácio, pasmo, não sabe o que dizer, mas logo se refaz.

– Se o senhor persistir a agir dessa forma, até o senhor mesmo, o enfermeiro, a direção, todos nós corremos sérios riscos de contaminação.

– Um relatório sobre a situação real prejudicaria a imagem que esta penitenciária tem. Seria a desmoralização.

– Observe, doutor, o vírus da meningite é muito contagioso e pode provocar uma epidemia; pelo menos a higiene deve ser mais observada.

Cansado e descontente com observações feitas por um presidiário, ainda que entendedor do assunto, perde a paciência e desabafa.

– Se não ficar calado, digo à direção para trancá-lo.

O secretário e o enfermeiro que ouviram o final da conversa dos médicos resolveram mostrar que estavam ali.

– O doutor não pode fazer isso, a ajuda do Inácio, quer dizer, do colega médico, tem sido enorme. – Para surpresa do doutor Lucas que era sempre muito respeitado, o secretário acrescenta: – se o senhor se recusa a aceitar a sugestão do Inácio, isso irá para o relatório e o senhor pode ser condenado por isso, quando tudo for descoberto.

– Qualquer decisão tem que vir é do diretor, portanto não se intrometa.

– Eu não estava gostando de ver um preso aqui na enfermaria a me dar ordens, mas tenho que admitir que é melhor tomarmos precauções – diz o enfermeiro aproximando-se.

– Vocês estão apavorados, a situação será controlada em dois dias. 
Amanhã esses doentes estarão bem.

Já tarde da noite, depois das muitas atividades às voltas com doentes, Inácio está calado num canto da cela, no que é observado pelos outros companheiros.

Compartilhe, amanhã tem mais.

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