Aconteceu no cárcere - Página 37
Capítulo III
Pelas falas em direitos humanos, Vini e Júlio descobrem um prisioneiro médico que oportunamente salva os companheiros
Em lugar bem distante dali, na Penitenciária Agrícola de Pitamba, em área de uns 40 alqueires está Inácio entregue à desesperança de sair daquele "buraco" onde se encontrava há tanto tempo. Inácio vinha saindo do milharal onde estivera toda a manhã e, enquanto passava perto de outros prisioneiros que trabalhavam na terraplenagem, observava o pó da terra tomar assento no empedrado terreno da prisão, aquele mesmo pó que vivia provocando doenças pulmonares nos homens de menor resistência física. Felizmente o porte atlético de Inácio permitia-lhe resistir às duras provações carcerárias, inclusive à escassa alimentação dos últimos dias. O preso que trabalhava na área agrícola tinha o direito a duas refeições apenas, nada mais, e, mesmo assim, à hora do jantar recebia somente macarrão puro, uma sopa horrível que mais parecia um grude.
Pitamba era tida como a melhor Casa de Detenção de Minas Gerais, se é que podemos classificá-la assim. Seus detentos tinham opções as mais variadas para trabalhar e, para conseguirem isso, bastava que nunca tentassem manter qualquer contato com os de fora. Com a atuação nos diversos setores, como oficinas para os mais variados serviços, desde alfaiataria até mecânica e marcenaria, era mais fácil haver uma reintegração dos mesmos na sociedade. No campo, os homens tinham em mãos as melhores sementes e técnicas para plantio. Os presos que trabalhavam reclamavam, no entanto, e com frequência, do pó levantado pelos tratores e do produto que usavam quando havia purgões nas plantações. Era duro passar dois anos ali até que pudessem ir para o serviço interno.
Inácio pensava sobre as vantagens daquela penitenciária, mas se detinha mais tempo ainda pensando no risco que os companheiros corriam
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