Página 28 - Margarida Drumond de Assis
... gordura acumulada na sua cintura, na barriga volumosa, já incomodando, o que, aliás, deixava-o entristecido porque aquele excesso de peso não o ajudava nem um pouco, proporcionava-lhe, sim, mais calor e desconforto.
– Tem razão, mas é uma pena não poder ficar aqui, pois é um espetáculo belíssimo este luar assim. – Alguns minutos de reflexão e um desabafo: – Puxa, eu sei que bem perto de nós, nos campos de plantações deve estar correndo uma brisa gostosa; eu daria muito para estar lá, a fim de sentir em meu rosto, em meu corpo, a carícia do vento. – Vendo que o amigo não se mexia, calou-se mas continuando a fitar o céu.
– O que é agora, em que está pensando? – indagou o outro, atento ao silêncio que se fizera.
– Em como gostaria de me encontrar com o Humberto para continuarmos nossa conversa. Eu preciso muito disto, sabe?
Assim acabou se entristecendo e se recolheu ao seu leito onde ficou lembrando aquelas poucas palavras que Humberto lhe dissera, mas que foram o suficiente para deixar muitas dúvidas sobre o que estaria acontecendo.
Na manhã seguinte à hora em que todos os detentos se encontravam no grande pátio, também Inácio saiu, e, andando, reparava em cada prisioneiro, buscando encontrar o estranho mensageiro. Considerou-o mensageiro e queria, a todo custo, saber como fora parar ali. Subitamente percebeu que
vinha alguém em sua direção, mas como estava um pouco distante não podia ter certeza se era quem procurava. Além do mais agora via um homem com uma grande barba e bigode, características que o diferenciavam. Reparando de lado, avistou o sargento Isaías que, da janela de seu escritório, observava todos eles com extrema sagacidade. Para infelicidade dele, que gostava de castigar alguém, tudo estava em ordem, embora houvesse uma certa excitação, sem, no entanto, nenhuma perspectiva de violência. Mas em uma hora ver-se-ia livre deste dever e poderia voltar ao seu colchão macio e ao vinho de que tanto gostava. Cantarolando, alguém se aproximava e Inácio caminhou ao seu encontro, certo que estava sobre de quem era aquele olhar brilhante e malicioso. Não havia dúvidas, Humberto ainda estava ali. Sentiu-se renascer. Aquela presença era a certeza de que muita coisa poderia ser esclarecida.
– Olá Humberto, que bom vê-lo, só lamento que este nosso encontro ...
Amanhã tem mais dessa incrivel história.
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