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Livro em Novela - Aconteceu no Cárcere 30/01/2016

Página 44 - Margarida Drumond de Assis


– Doutor, me ajude. Estou ardendo por dentro, mas meu rosto está gelado. E que falta de ar, meu Deus... – ia balbuciando Fernandinho, o corpo mole sobre a cama da enfermaria – Julião, prepara essa injeção e aplique-a nos dois. – Abruptamente duas folhas do receituário são entregues ao enfermeiro.

A incredulidade expressa nas feições do Julião fez-se evidente.

– Essa é só uma injeção de vitamina, o doutor me desculpe se me intrometo.

– É exatamente isso, o que eles têm é fraqueza, têm trabalhado direto e se alimentado pouco.

É verdade que Julião não engoliu aquela explicação, mas viu-se sem condições de continuar questionando o médico. 

Muito distante, num alvo quarto da casa onde mora, imbuída de um íntimo desejo de dar novo rumo à sua vida, Paula conversa com o companheiro que, admirado das novas ideias que ela expõe, busca um
entendimento.

– A vida que tem ao meu lado, querida... bem... está faltando alguma coisa para você ser feliz?

Paula observou Gilberto um momento... os olhos astutos, sagazes e, ao mesmo tempo, carinhosos, meigos.

– Claro que não me falta coisa alguma, você é compreensivo, me dá do bom e do melhor, passeamos aos lugares que quero, mas...

– Mas... – repete Gilberto incitando-a a terminar o pensamento.

– Tudo o que tenho com você é bom, mas eu preciso me sentir útil, fazer alguma coisa construtiva, quero trabalhar.

– Está bem, mas o que você irá fazer, trabalhar em que tipo de serviço? 
Muito confiante e disposta a mostrar ao seu querido um pouco do que ela sabe, diz confiante e cheia de um contentamento que o assusta.

– Posso lecionar, trabalhar num escritório ou até mesmo num hospital.

– Ah, não, eu não acredito! Você pode fazer tudo isso e eu não sabia, sua danada.

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