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Livro em Novela - Aconteceu no Cárcere 28/01/2016

Página 42 - Margarida Drumond de Assis

A sirene soou alto e os dois tiveram que sair rapidamente.

Em sua cela, Inácio permanece horas seguidas entregue ao silêncio e uma só coisa insiste no seu pensamento. Inutilmente tenta afastar a ideia que o atormenta. A estranha revelação feita por aquele sujeito que se apresentava como primo de Paula deixava-o intrigado. O que poderia haver de verdade naquela história que lhe fora contada? Seria possível que a mulher, que ele sempre soubera ser honesta, fosse capaz de fazer um trato daqueles? Não, impossível de se acreditar! E se acaso fosse verdade, por qual motivo não teria cumprido o prometido?

Conjecturas as mais diversas sobre um possível relacionamento entre Paula e aquele moço povoavam a cabeça de Inácio que, neste tormento, nem percebia o tumulto que estava se formando ali no cárcere.

A penitenciária era de capacidade para 600 pessoas constando de pavilhões bem extensos com várias celas individuais, ou mesmo coletivas, para onde os prisioneiros se dirigiam às 16 horas, após o trabalho que desempenhavam diariamente. Depois das horas que passavam nas várias repartições, cada um na sua especialidade ou aptidão, cada cela era um recanto até muito bem esperado por todos aqueles homens e mulheres.
Alguns deixavam sempre muitas peças bem lixadas, cortadas, prontas para montagem de mesas, bancos, cadeiras ou até armários. Era a marcenaria. Outros, a cada dia, deixavam confeccionados centenas de colares, pulseiras e brincos que eram encaminhados para a cidade vizinha onde havia uma loja que revendia todos os produtos fabricados, oriundos da Penitenciária de Pitamba. Ela contava ainda com inúmeros outros serviços, como padaria, horta, olaria e, de grande destaque também, uma grande fazenda que se estendia ao fundo, pelos campos.

O ambiente naquele lugar hoje, no entanto, não era calmo, havia um burburinho que passava de uma cela para outra e a aflição já se fazia notar. Dois detentos do segundo pavilhão estavam estirados no chão liso e duro aos pés da cama, pois tão logo chegaram do jantar, antes mesmo de fazerem a higiene bucal, cairam prostrados. As camisas estiradas nas ...

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